terça-feira, 24 de maio de 2011

s/ titulo

Tempo... A experiência é cada vez mais rara. Tudo o que se passa, passa demasiadamente depressa, cada vez mais depressa. E, com isso, reduz-se a um estímulo fugaz e instantâneo que é imediatamente substituído por outro ou por outra excitação igualmente fugaz e efêmera.


Prisão da ansiedade
Astro grita em alta voz.
Geme e se agita como leão querendo escapar
Mas de onde vem essa força?
Com este brilho que te molesta?

Prisioneiro do prazer!
Servo da vaidade!
Busca na luz a verdade...
Mas a mentira está em teus pés!
Assim, aprisiona seu coração
E nos silêncios de tua voz
Em sua divina compreensão
Luzes, ainda brotarão do amor.

Rosa Cris

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Luna


Descortina-se o véu de uma consciência sabida
Mas desconhecida por não ser vivida.
Cresce
Alimenta-se
Renova-se a extensão de teu ser.
Vida...
Já há de florescer
E ser a mais linda dos raios de prata.

Rosa Cris Perônico/2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Profecia Evolutiva


Coincidência,

Mistério

Fundamental

Da

Ordem do universo!

Universo,

Pura energia,

Percepção

Misteriosa

Histórica e significativa

Do ser presente e

Inteiro.

Somos co-criadores

Dos pensamentos.

Admirar a beleza natural

De todos os seres,

Nos faz ser presente,

Inteiros!

Competição entre nós?

Sim.

É o medo

A falta

Do

Presente,

Inteiro.

Fio

Elo

É confio.

Condição de estar

Presente,

Consigo.

Distante,

Interrogar,

Intimidar,

Vítima,

Por que?

Medo!

Intuir

Permitir

Tempo

Presente

Ser

Estar.

Mensagem

No tempo.

Outro

Eu

Espelho

Verdade.

Consciente

Evolução

Vida

Morte

Ciclo.


Rosa Cris

2007

Olho de Lua




Olho de lua

Preso aos tempos
em redoma planetária umbilical
São raros instantes
De alívio e deleite...
E quando descobre o véu
depara-se ao desconhecido.

Caminhos escolhidos à distância
Uma grade distorcida,
nunca deveras existido dúvidas?


Evidente...

A mente é um Universo subjetivo!
E decidimos o que nele guardar?

A razão prevalece?
O que impõe os seus limites?

O tempo...
E se permite esquecer de lembrar,
e uma vida inteira se passa
Eternizando a imagens
vendas nos olhos,
como cegueira da visão.

Se na cabeça do homem tem um universo
onde mora a verdade inteira?
O que há nas estrelas?

Nas poeiras cósmicas?

Há vida inteligente?

Plantas?

Vida além da terra umbilical?

Lixo espacial?

As quais galáxias conecta-se?

Sabei que há mais quando se sobe no topo do pelo do planeta!

Rosa Cris

2009

sábado, 4 de julho de 2009

Serapilheira em Arte




Abaixo a Arte!
Morre a prosa?
Morre o verso?
A poesia é marginal.
Se não sabes discernir
Murcha as flores do teu quintal!

Não atribuas
Valor a outros
Do que tens em pensamento,
Sabes que a verdade não voa com o vento?

Castra a Arte!
Castra a prosa,
Castra o verso!
A poetisa sente o sal.
Se não compartilhas o discernir
Teu amor é marginal!

Rosa Cris Perônico
2008.

Musica Pagã






Caminhando descalça sobre terra gelada (outono)
Encontro espelho refletido
Imagem esculpida duplica cinzas
Tenho prazer em ver
Quanto tempo tenho mascarado meu sorriso
Neste mundo tão hipócrita de amor?
Real é gritar!
Verdade é sentir!
Cultivar é arte!
Desejar é masoquismo?
Semear é a arte.

Camélias negras sangram um vermelho da não libertação
código
Mensagem primitiva

Camélias negras sangram 100 mil chibatadas próximo a fogueira e o frio (outono).

Recebi amor
Era uma mensagem primitiva
Eu era diferente
Quanto tempo mascarando meu sorriso
Neste mundo hipócrita de amor?

Camélias negras sangram 1000 chibatadas próxima a fogueira e o frio (outono).

Por que é tão difícil de doar?
Por que querer só pra si o que pertence a códigos secretos a serem descobertos por quem queira? (mensagem primitiva).

Vejo a mão de osso estendida
Linhas vermelhas passam entre ela (sangue e vida)
Pare!
Pare fique onde está!

Um passo a diante cortará os sinais e mensagens!
Cinco dedos pontudos escreve o amor e a dor.
Cinco, formam modelos a serem descobertos.
Cinco calejados de amargura.
Cinco congelados no tempo.


No simples há uma superfície frágil
Quebradiça (asa de borboleta)
Fio fino tece mensagem desconectando.

Camélias negras sagram 10.000 chibatadas
Estão por toda a parte
Giram a volta e a cima
Próxima a fogueira e o frio (outono).

Há um ermitão soberano ferido
Mais de 40 anos apodrece devagar
Pode cair
Pode cair
A raiz é o que segura
Mas a terra está contaminada
Pode cair
Pode cair
O som da queda é musica pagã
Musica do universo
Esse tempo foi adiantado era para ser 200 anos ou mais
A queda é musica pagã.

Camélias negras sangram 10.000 chibatadas próximo ao fogo e frio (outono).
Musica pagã.

Mensagens decodificadas
Musica pagã
Pulsam e me desperta
Aquietam - se
Adormeço
Musica pagã.


Rosa Cris Perônico/09
Oleo s/ tela

Cartas ao Poeta I: Discursos da Mente



Meus olhos se fecham e ainda posso ver. Imagens, discursos, tons Almodóvar e você chegar perto de mim. Ao mesmo instante sinto a distancia dispersar cores e os tons tornarem-se cinzas. Michael Ende sabe muito destes tons, tomamos café e ele me contou.

Cinzas e cinzas do que não deu tempo para ficar pronto. E talvez nunca fique, porque o movimento é constante. Não creio que tenho me enganado a sentir presenças. Não mesmo! Parece que brinca de doar. Quando pensei que o presente era meu também, me enganei. Presenteamos-nos o tempo todo, e achei que poderia ser um pouco meu alguns presentes.

Riscos e rabiscos. Versos e verdades. Segredos e cumplicidades tornam-se cinzas. Cores e texturas. Íris e imagens fotográficas perdem a cada dia cores.

Já andei por muitos lugares e ainda tem muitos para ser meu um pouquinho. E me pego esquecida de lembranças e por alguns momentos me fazia lembrar.

Pego-me novamente esquecida de lembranças. Quando chegam não encontram mais contextos e nem formam textos, por causa desse medo que te ronda, deve ser os cinzas! Não pensei que poderia fazer mal e nem bem, apenas fazer algo. Movimentar moléculas. Fazer sangue circular. Músculos fortalecer. Pele exalar cheiros. Tatos vibrar na ponta dos dedos sujos de tintas, do carvão, da caneta, dos micróbios ao teclar. Só fazer algo! Fazer ventos soprar cabelos, homem virar pó e pó fertilizar a Terra. Flor brotar a olhos vistos. Só fazer algo! Coração brotar galhos e folhas. Brisas serem geladas como Ártico e frescas como a do mar dentro de nós. Só fazer algo!

Não podemos ter tudo na medida em que queremos, não é? Mas eu posso! E emprestei de você sentidos e significados que talvez não tivesse intenção de emprestar. E te devolvo na media. Fiquemos no tempo então, com o que compartilhamos.

Não seja formal e sim real. Diga verdades e não faça promessas que não pode ou tenha a intenção de cumpri-las. Todas foram falhas. Sabe por quê? Não quis perder, mas também não soube ganhar e está aprendendo a cuidar. Como quer rosas se não cultiva a roseira? Como quer ver borboletas se o jardim está seco, vê flores? Já viu uma crisálida abrir? É preciso paciência para isso! É preciso interessar-se por isso. É preciso dar sabores para isso.

Isso está ai.

Está aqui.

Isso é o que envolve.

Movimenta

Transgride

Percebe

Recusa.

Isso faz parte de tudo e de nada.

É meu

Seu

Nosso

É emprestado

Endividado

Libertado.

Isso causa sentidos e significados.

Raiva

Frio

Calor

Vontade

Desejo

Paladar.

Isso é o que sente fome.

Come

Sacia

Procria

Deglute

Isso mata.

Isso vive.

Devagar

Rápido de mais

Constantemente

Impiedoso

Soberano

De vontade.

Isso não se compra e nem vende.

Escolhe

Doa

Busca

Experimenta

Merece

Conquista.

Isso tem um preço.

É caro

Barato

Está na promoção

Liquidação

Extinção

Extensão.

Isso é que proponho.

Que dá medo

Força

Sondagem.

Isso é sábio.

Tem coragem

Virtude

Liberdade.

Isso tem seu tempo

Não tem pressa

Passos lentos

Curtos

Sente ventos

Sabemos o que é.

Isso está guardado

Enclausurado

Imaculado

Primitivo.

Isso tem vontades

Não sabe esperar

Não quer ocultar

Parar

Mas sabe voltar

Porque isso se basta

Vive consigo

Segura

Confio

Fio

Tece

Isso é o que dizem as línguas.

Traduzem os poros

Buscam os tatos

Escutam os cheiros

Cheiram os sabores

Isso é obsceno

Assim relatam os poetas.

Cris Perônico

10/02/09

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Diálogo complexo



Eu, pronome da primeira pessoa.
Singular
Única
Metafísica
Complexa
Viva, desencadeiam outros eu de eu.

Mas...
O que é realmente eu?
Eu estou em eu?
E você?
Às vezes vejo eu em você!
Como se sou única?

Ah!
Encontro meu eu quando observo o seu eu!
Sim...
Solidária de eu
Quando compreendo eu e o teu eu.

Mas...
E se não gosto do que vejo do teu eu?

Oras!
O que não gosta do que vê é teu eu.
“Eu só posso ser completamente eu quando souber me encontrar com o outro eu que existe em cada ser humano”.

Rosa Cris Perônico
06/08

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Percepções de professora: O jardim secreto


Rosa Cristina A. Perônico
Para Abramovich que dedicou a Freire.

Fazer uma reconstrução da vida escolar me fez compreender que a criança entende seus processos de aprendizagem de forma diferente da que o adulto lhe apresenta. E que a escola é mais que um espaço de ensinar e aprender, é um lugar de encontros, reencontros e descobertas subjetivas sobre o mundo de cada um que participa deste.
Minhas recordações estão mais na interação do espaço físico do que com professores e colegas. Inicia-se aos oito anos na primeira série em um colégio do estado E.E.P.S.G. Professor Adolfino Arruda Castanho. Assustador é pensar na estrutura física, salas, imensos corredores, escadarias que levavam ao terceiro andar, pátios, quadras, banheiros, refeitório, pequenos jardins e o encantado bosque que me fazia perder as horas e esquecer que estava na escola.
Era o meu jardim secreto! Conhecia cada espaço e cada ser vivo que habitava ali parecia que me esperavam todos os dias. A entrada discreta não deixava pistas de que naquele abandonado espaço poderia ter o interesse conjugado de uma criança. Era praxe cruzar o pátio deserto e encontrar um adulto com olhar irritado me puxando pelo braço conduzindo-me até a sala de aula. Quem era aquela pessoa? O que dizia? Hoje posso deduzir que se tratava da inspetora. Literalmente sentia com todos os meus sentidos a brusca mudança espacial, de um lugar de encantos e descobertas meu, para um lugar quadrado, frio, fechado e que não compreendia o que significava e mais não me pertencia.
Todos os dias a cartilha me consumia. “Eva viu a uva”; “o bebê baba”; “o dedo dói”. Sim meu dedo doía, hoje tenho calo do esforço e tentativa em aprender a ler e escrever. Edite é uma professora inesquecível! Seu porte físico não recordo, mas seu olhar, suas atitudes estão impregnadas nas gavetas do subconsciente. “Faça de novo!” Que letra horrorosa! ”Leia, Leia... Como não sabe?” “Vá para a fila do abacaxi!” A fila do abacaxi era onde ficavam aqueles julgados e conjurados ao método do repetir quantas vezes fossem necessárias até aprender escrever; ler uma palavra; frase ou atingir a perfeição dos exercícios motores gráficos. Não tenho recordações de afetos, cuidados, interesses pelo o que poderia ser o certo que eu acreditava. Parecia-me que o tempo todo eu era uma pessoa errada, no lugar errado, na hora errada e fazendo o errado. Que sacrifício ganhar “um certo” com a sua caneta azul! Meu caderno era repleto de tinta vermelha com imensos “Xs”, me lembrando o tempo todo que eu estava errada.
Nestas condições só o jardim me interessava. Ângela doce criatura! Como poderei esquecer daquela que significou o que eu mais apreciava. Do jardim secreto meu, tornou-se nosso! Os contos de fadas, as musicas, eram recontados ali nos cenários improvisados e fantasias de jornais. As aulas de ciências, matemática eram contextualizadas nos cenários naturais do espaço. Estar com Ângela era ser cientista mirim. Falava com paixão sobre os insetos, árvores pássaros e ervas daninhas. Compartilha um mundo fora das frias e quadradas paredes da sala de aula. Não me recordo de os cadernos serem manchados com a tinta vermelha da caneta, nem de serem rasgados ou jogados no lixo por causa das orelhas. Lembro-me de uma pele negra, cabelos trançados e um largo sorriso que dizia “o que eu não sei hoje posso aprender amanhã!” Ela nos recordava dessas palavras todos os dias e era um conforto, sabia que estava no lugar, na hora e com a pessoa certa, livre para apreender o que pode ser necessário e significativo a vida escolar.
O jardim secreto hoje, representa mais do que toda aquela beleza perceptível. É a representação do que há de secreto em mãos querendo manipular, experimentar, das percepções infantis que busca incansável apreender e compreender o mundo que a cerca. É o oculto do potencial que há em cada pessoa em desenvolvimento, seja qual for sua idade em interação com diferentes Ciências e áreas do Conhecimento. É o método desconhecido e experimentado pelo docente buscando acertar nas tentativas desse ir e vir dos contextos escolares.
Sonho com a escola da professora Ângela, um lugar aberto a todas as possibilidades de encantar, que olha o aluno vivo, inquieto e participante; com professores que não temam suas duvidas; uma escola viva, posta no mundo e ciente que estamos no século XXI.
Neste sentido nós professores, comunidade escolar e Estado precisamos repensar o processo educacional e tudo que o envolve de forma que seja compreendido que é preciso mais do preparar pessoas para o mercado de trabalho ou lhe apresentar um mero acumulo de informações. Mas para a vida, como uma pessoa inteira, visualizar: sua afetividade; percepções do mundo; seus sentidos; criatividade; crítica; participação; sua identidade cidadã.
A escola é também o lugar possível para que aluno possa ampliar seus referenciais de mundo; encorajar e engajar simultaneamente todas as linguagens (escrita, musical, dramática, cinematográfica, corporal, poética...). Ela pode derrubar as paredes frias e quadradas saindo sempre que possível do referencial lousa, giz, voz e cadernos para um lugar mais significativo, vivo, participativo, compartilhado, aberto, inquieto, dinâmico, flexível, reflexível do nosso cotidiano pedagógico. Fazer da prática docente uma atitude de liberdade no sentido de desmistificar o burocrático do trabalho incansável e insensato que julga, oprime, culpa professores e alunos no processo marginalizado do fracasso escolar. Como desafio reaprender outras formas de se participar do fenômeno educacional, novas relações educativas baseadas no fazer junto com alunos, professores, escola e comunidade: integralizar as Ciências e não compaquitá-las; avaliar os processos educativos não só dos alunos, mas nossa (professores) e deles em comunhão com tudo que envolve o contexto escolar (espaço físico prédio e ambientes; recursos materiais; metodologia; aportes teóricos e filosóficos; o preparo adequado dos funcionários tanto de suas funções quanto no trato das crianças, jovens e adultos que freqüenta a escola); construir o pensamento da realidade heterogênea de mundo, do todo e não só das partes; refletir a pratica educativa para que a escola seja facilitadora na construção da subjetividade dos alunos, para que possam interpretar o mundo em que vive e ser o senhor de sua própria história. Precisamos reaprender a não "coisificar" a nossa história educacional, a nossa pratica, os nossos alunos, a escola em que trabalhamos, a nossa identidade profissional e cidadã. Podemos compreender que tudo que envolve o ser humano são construções e aprendizado constante. Ninguém nasce pronto e acabado, mas com sentidos vivos para a busca de saberes.
O jardim secreto da educação é a escola, um lugar que é muito mais do que uma estrutura de concreto. É um lugar onde alunos, professores e toda a comunidade escolar podem se encantar. É o lugar onde pessoas se encontram, compartilham saberes e repensam, reconstroem o mundo.


Mascara de professora

Não sou carcereira
E nem tenho o dom de carrasca!

Não tenho paciência com as ordens de meu rei
Suas escolhas não são sabias!

Sou prisioneira do fracasso humano!
Conduzo pessoas a participarem deste fracasso.
Então qual é a minha profissão?
Fabricar fracassos?
Pessoas que fracassam?

Fracassar é não ter a liberdade de escolha.
O fracasso conduz ao medo
E o medo é uma doença.

A doença mata os seres
Os seres mortos não sabem que morreram.
Mas há cura!
A cura está no valor à vida
Está no significado de ser
Do ser
Estar
Poder
Querer
Escolher
Precisar
Gostar
Fazer parte.

Conduza o homem à liberdade e eu o segurei.

19/05/08
Rosa Cris Perônico